A criação cênica do Teatro Oficina Uzyna Uzona para o famoso conto de Clarice chega aos palcos cariocas encenado por Ana Hartman, com direção de Joana Medeiros
Quem passa pela orla do Leme e vê a estátua de Clarice Lispector homenageando a ilustre moradora pode não saber, mas nem sempre a Zona Sul carioca foi o lar da escritora no Rio de Janeiro. Dentre tantas moradas na capital fluminense, a Tijuca foi um dos bairros que primeiro acolheu a escritora ucraniana. É por lá, mais especificamente no Teatro Ziembinski, que acontecerá uma rápida temporada de O Ovo e a Galinha. O enigmático texto, publicado na coletânea A Legião Estrangeira se transformou num espetáculo inédito. Ana Hartmann encena e Joana Medeiros assina a direção.
A transposição do famoso conto da ucraniana parte da observação filosófica de uma mulher sobre um ovo na mesa da cozinha. O espetáculo passou por alguns formatos até chegar ao atual. Da performance realizada por Joana pela primeira vez em 2017, passando pela encenação na programação do Thusday Night Live, do Instituto Het Nieuwe, da Holanda. em 2019 aconteceu a entrada de Ana nos estudos sobre o texto e indo até os ensaios abertos. Daí para as primeiras apresentações no próprio Teatro Oficina Uzyna Uzona. Neste momento, Ana já era a atriz da peça. Agora o espetáculo chega ao Rio de Janeiro em sua forma definitiva.
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O ponto de partida é uma leitura do conto feita pela própria autora
“Partimos de um acontecimento real, a leitura do texto que Clarice fez em 1975, durante o primeiro Simpósio de Bruxaria de Bogotá. A partir daí, tínhamos um lugar, uma personagem e uma ação claros. Isto é: alguém tentando contar ao outro uma experiência tão profundamente transformadora que desestabiliza a própria noção de realidade. Mas como convidar o público a participar desta metamorfose? Porque ‘o ovo’ é isto, é descobrir que tudo é uma coisa só. Como transformar uma conclusão tão vasta e tão abstrata em algo concreto que possa ser vivido no teatro?“, pondera Ana Hartmann.
A resposta foi transformar este fluxo de consciência na personagem Clarice e materializar os diferentes estados de sua consciência. São eles a alucinação, a nudez, o silêncio, a euforia e o desespero diante do inefável. Ao longo de sua vida e durante a sua obra, a escritora demonstrou curiosidade e fascinação sobre a vida interior das galinhas. Além disto, a capacidade de epifania diante de objetos cotidianos. Tendo a personagem e um fluxo de consciência, surgiu a dramaturgia. Para isto, a montagem contou ainda com recursos de iluminação, som e elementos surgidos ao longo da pesquisa. Dentre eles, o theremin, instrumento musical de sonoridade quase fantasmagórica, capaz de criar uma atmosfera espectral.
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Ficha Técnica
Dramaturgia: Clarice Lispector, Joana Medeiros e Ana Hartmann
Direção: Joana Medeiros
Produção Executiva SP: Ana Hartmann, Cian Klein e Lucas Andrade
Produção Executiva RJ: Pedro Uchoa e Gabriel Garcia
Assistente de Direção: Victor Rosa
Direção de Arte: Marília Pirajú e Marcelo X
Direção de Som: Adriano Salhab
Iluminação: Victoria Pedrosa
Projeções: Ciça Lucchesi
Kino-atuador: Luz Barbosa
Operador de vídeo: Vitor Damasceno
Figurino: Felipe Samorano
Operação de Som: Júlia Ávila
Músico em Cena: Jefferson Placido e Nana Carneiro da Cunha
Ponto: Ana Clara Cantanhede
Mídias Sociais: Pedro Martins
Comunicação: Ana Clara Cantanhede, Pedro Martins e Luz Barbosa
Visuais: Ciça Lucchesi
Assessoria de Imprensa: Marrom Glacê Comunicação – Gisele Machado e Bruno Morais
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Informações sobre “O Ovo e a Galinha”
Local: Teatro Ziembinski, av. Heitor Beltrão, s/nº, Tijuca
Data: até 27 de setembro • Sexta e sábado – 20h • Sábado e Domingo – 19h
Duração: 60 minutos
Classificação Indicativa: 14 anos
Ingresso: Clique Aqui




