Peça teatral surge a partir do sonho de um jovem que esquece sua origem humilde e trabalha para ser artista, mas o futuro é incerto.
Um jovem que sonha em ser artista se vê numa encruzilhada após o assassinato do pai. É esta a premissa que a Oficina Estilhaça apresenta no espetáculo musical O Reino de Jorge. A peça se baseia nas obras de William Shakespeare. Nesta versão, englobam a aspectos típicos da rotina carioca. A origem da apresentação é uma necessidade de reconhecimento.
“Somos uma companhia da Zona Norte e já fizemos vários musicais, mas nos faltava um brasileiro. Como diretor, compreendi que esta era a hora de valorizar o que e quem somos. Deixar que o elenco faça as pazes com a própria origem e história”, explica Matheus Ranieri.
Ele afirma que o público pode esperar uma exibição digna de filme.
“É definitivamente um espetáculo cinematográfico. Uma mistura de tudo o que a gente já gostou de ver na TV, mas agora ao vivo. A peça é uma ‘teia de aranha’. O mosquito que parar nela, será devorado. Tudo se cruza e se mistura em velocidade“, complementa o diretor.
Transcrição de várias peças de William Shakespeare
O processo criativo passou por diversas obras do Bardo inglês, como MacBeth, Otelo, além de Romeu e Julieta. “Nosso musical cruza mais de 8 peças de Shakespeare, porém, durante a pesquisa, entendemos que ‘Hamlet’ é a maior delas. O mover da exibição é a vingança de Hamilton pela morte do pai. A vingança o corrói por dentro e cria uma reviravolta em sua vida. Além disso, ele se inscreve num projeto social de teatro e decide fazer um espetáculo sobre as próprias vivências. É a metalinguagem shakespeareana aqui incorporada na nossa vivência“, revela Matheus.
O diretor fala um pouco sobre quais pontos pegou do drama original e adaptou para “O Reino de Jorge“. “eu começo com os coveiros, tal como em ‘Hamlet’, eles contam a história a partir dos corpos que entram pelo local. Tentando não fazer revelações, mas Hamilton tem sonhos com o pai e é essa perturbação mental que o faz querer entrar na facção comandada por quem ele suspeita ser o assassino do pai. Isto cria uma grande distorção na vida dele e no seu sonho de ser artista. Ele, tal qual o personagem do Bardo, não é herói nem vilão, mas humano. Tem sede de poder e vingança, justiça e liberdade“, conta.
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O nome Jorge tem um papel voltado ao lado simbólico
O nome ‘Jorge’ no título é uma referência ao santo guerreiro. Na apresentação, ele tem um papel voltado ao lado simbólico. “Ele é a nossa alegoria. Contamos sua presença, não sua história. Aqui, a narrativa de suas batalhas está na luta diária do que é ser suburbano. A figura de São Jorge é um personagem, ‘Ogum’. Ele, apenas com trabalho corporal vai fazendo um prefácio sobrenatural das cenas, costurando-as“, diz Ranieri.
A peça traz à plateia momentos em que serão lembradas sonoridades do dia a dia, com um coro de 25 atores preparados para cantar e dançar ao vivo. Diferente de outras atrações, este evento promete não seguir um estilo considerado inerte. “Nós trouxemos nossas narrativas para a cena. Acho que estaremos diante de um musical para cantar junto. Eu já estava incomodado com os musicais que cantam o texto, mas que o público precisava acompanhar passivamente. Aqui vamos cantar Jorge Aragão, Milton Nascimento, Rita Lee, MC Marcinho, Claudinho e Buchecha, colocados a favor da peça“, ressalta o diretor.
Ficha Técnica
Direção artística: Matheus Raineri
Direção musical: Nakiska Muniz
Coreografias: Maria Carolina
Dramaturgia: Construção coletiva com supervisão de Matheus Raineri
Iluminação: Mika Cordeiro
Figurino: Construção coletiva
Direção de produção: Edneia Raineri
Elenco: Layla Santos, Bernardo Alexandre, Crystal Assis, Naluz Viana, Fernanda Évora, Fernando Salvier, Bruna Souto, Akin e grande elenco. Assessoria: Ribamar Filho e Victor Santos (MercadoCom)
Informações “O Reino de Jorge”
Local: Teatro Sérgio Britto • Rua Santo Amaro, 44, Glória
Data: 28 a 31 de maio • Sempre às 19h
Duração: 140 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos
Ingressos: Clique Aqui




