Na montagem de Fissura, peça escrita e dirigida por Clarisse Zarvos, a casa deixa de ser cenário e se torna um organismo vivo.
A sala multiuso do Sesc Copacabana recebe Fissura. Um solo com dramaturgia e direção de Clarisse Zarvos e atuação de Maria Fabíola. Contos de terror escritos por mulheres da era vitoriana inspiram o espetáculo. Ele parte da figura da casa assombrada para refletir sobre o espaço doméstico como lugar de confinamento, silenciamento e controle.
A trama acompanha uma mulher sendo levada para passar um período sozinha numa casa de campo. Isto acontece para que ela se recupere de uma doença psíquica. Isolada e sem referências, a personagem mergulha num estado de exaustão mental. Nele, lembranças e medos se sobrepõem, fazendo seus dias oscilarem entre lucidez e delírio. Sem nome, ela representa diversas mulheres submetidas à clausura e ao esquecimento.
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Comportamentos nocivos se cristalizam no ambiente doméstico
Nesse contexto, os olhos da personagem se fixam numa fissura na parede, brecha que se abre como passagem para outras camadas da casa e da memória. Ao atravessar esta fresta, ela encontra uma criatura que a conduz pelos antigos habitantes da casa. Essas figuras transformam situações cotidianas em imagens típicas do horror. Desta forma, revelam como determinados comportamentos nocivos se cristalizam e se naturalizam dentro do ambiente doméstico. Entre elas estão o fantasma do pai ausente, que não aparece nas fotos de família, um casal lésbico condenado à clandestinidade e uma trabalhadora doméstica invisível.
“Ao contrário do que se espera, muitas casas não funcionam como abrigo ou lugar de proteção. Em contos de horror escritos por mulheres, o espaço doméstico surge como organismo vivo. Ele observa, reage e produz horror. Não é cenário: é corpo ativo da narrativa”, explica Clarisse Zarvos.
Em Fissura, essa lógica se materializa na própria rachadura na parede, brecha por onde o que foi silenciado insiste em reaparecer. Além disso, se apresenta como possibilidade de outras existências.
A encenação aposta na metalinguagem. Em alguns momentos, Maria Fabíola assume o papel de narradora e comenta os mecanismos de criação de uma história de terror, antecipando expectativas do público e ironizando seus códigos mais clichês.
“Este gênero trabalha muito com fórmulas reconhecíveis, com situações que se repetem tanto no cinema quanto na literatura. Identificar essas estruturas é uma forma de reforçar como os medos do cotidiano também se repetem em ambientes que nos são familiares”, afirma a diretora.
Fissura dialoga com a literatura vitoriana
A dramaturgia dialoga com obras vitorianas britânicas como O Papel de Parede Amarelo, de Charlotte Perkins Gilman; A Janela da Biblioteca, de Margaret Oliphant e A Verdade, Somente a Verdade, de Rhoda Broughton. Narrativas atravessadas por clausura, opressão e instabilidade psíquica.
Ao mesmo tempo, a peça se abre ao terror latino-americano contemporâneo, mais quente e pulsante, em sintonia com autoras como Mariana Enriquez, María Fernanda Ampuero e Mónica Ojeda.
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Ficha Técnica
Dramaturgia e Direção: Clarisse Zarvos
Atuação e Colaboração Dramatúrgica: Maria Fabíola
Direção Musical: Rachel Araújo
Cenógrafa: Elsa Romero
Assistente de Cenografia: Yasmin Lira
Iluminadora: Lara Cunha
Figurinista: Carla Costa
Preparadora Corporal: Laura Samy
Fotógrafa: Thaís Grechi
Assessoria de Imprensa: Lyvia Rodrigues – Aquela Que Divulga
Mídias Sociais: Calmon LAB
Designer: Fernando Alax
Direção de Produção: Martha Avelar – EmCartaz Empreendimentos Culturais
Produção Executiva: Fernando Alax – Casa 136 Produções Artísticas
Idealização: Maria Fabíola, Clarisse Zarvos e Martha Avelar
Produção: Fabulanas Produções
Realização: Sesc RJ
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Informações Monólogo Fissura
Local: Sala Multiuso do Sesc Copacabana • Rua Domingos Ferreira, 160 – Copacabana
Data: 19 de março a 12 de abril • Quinta a Domingo – 19h
Duração: 70 minutos
Classificação Indicativa: 16 anos
Ingressos: Compre Aqui




