Filipa é reconhecida como uma das primeiras vítimas de homofobia no Brasil e um ícone do movimento LGBTQIAPN+ no país.
“Filipa” é um espetáculo solo da atriz Waleska Arêas que resgata a trajetória real de Filipa de Sousa. Vinda do Algarve, Portugal, ela era alfabetizada, fato extraordinário para a época. Viajou para Salvador, trabalhava como costureira, teve dois maridos e não tinha filhos. Aos 35 anos foi denunciada por Paula Siqueira, sua amante. Ela foi pressionada pelas autoridades inquisitoriais em função de ter sido encontrado o livro “Diana“, de Jorge de Montemayor em sua casa. Esta obra era proibida pela igreja porque falava das aventuras amorosas de duas pastoras.
Filipa enfrentou o julgamento pela Santa Inquisição de forma orgulhosa e resiliente. Afirmou que o amor entre mulheres era natural e sem pecado. Revelou detalhes de seus romances, incluindo da delatora, com quem havia se relacionado por três anos. Na época, das 29 mulheres acusadas de lesbianismo na Capitania da Bahia, sete foram julgadas e condenadas. Filipa teve a pena mais severamente aplicada: açoites, prisão, pagamento de todas as custas e degredo perpétuo. A delatora, por sua vez, foi condenada a 6 dias de prisão e 50 cruzados e multa.
– Continua Depois da Publicidade –
A atualidade da história
Mais de quatro séculos depois, a história ainda ecoa como símbolo da resistência lésbica e da luta LGBTQIAPN+. A peça, para além de reverenciar o ícone, quer descobrir quem foi essa mulher por trás do julgamento, dos documentos e cartas de amor. A história de Filipa ainda diz muito sobre a sociedade contemporânea, pois amar e expressar-se continuam sendo atos políticos.
“Este espetáculo me atravessou num lugar muito sensível. Ao ler o processo de Filipa de Sousa, fui tomada por um medo antigo e por uma identificação da qual não consegui me afastar. Estar em cena é a minha tentativa de dar corpo a esse encontro, de tocar feridas abertas e de dizer, mesmo com tremor, que existir e amar não deveriam exigir coragem” conta a atriz Waleska Arêas.
Ficha Técnica Filipa
Dramaturgia: Gabriela Amaral
Direção: Maria Clara Guim
Elenco: Waleska Arêas
Cenário e Figurino: Andréa Renck
Iluminação: Lara Cunha
Trilha Original: Paula Leal
Direção de Movimento: Daniela Cavanellas
Visagismo: Alex Palmeira
Fotografia: Valéria Martins
Identidade Visual: Clarice Pamplona
Gestão de Mídias Sociais: Fernanda Portella
Produção Executiva: Tatjana Vereza
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – Stella Stephany e João Pontes
Informações sobre Filipa:
Local: Teatro Glaucio Gil, Pça Cardeal Arcoverde, s/n, Copacabana
Data: 05 a 27 de março, quintas e sextas às 20h
Duração: 60 minutos
Classificação: 16 anos
Ingresso: Clique Aqui




