Programa reúne obras de Cécile Chaminade, Eleanor Alberga, Florence Beatrice Price, Julia Amanda Perry, Léa Freire, dentre outras.
A Casa Museu Eva Klabin recebe a pianista Isabella de Carvalho em sua primeira apresentação no Rio de Janeiro, com o recital Toque, dentro da programação dos Concertos EVA. Com curadoria musical de Chico Dub, o concerto é inteiramente dedicado à criação musical feminina. Ele reúne obras de oito compositoras de diferentes gerações, períodos e contextos. O percurso vai da francesa Cécile Chaminade à brasileira Léa Freire. A apresentação integra uma série de concertos em que a instituição abre espaço para pianistas negras. Deste modo, valoriza suas trajetórias e contribuições para a música de concerto.
O evento já recebeu a brasileira Ifátoki Maíra Freitas e terá continuidade em novembro, com recital da pianista portuguesa Gisela Mabel. O mês de realização é outubro, marcado pelas campanhas de conscientização sobre o câncer de mama. Assim, o recital estabelece uma relação entre música, corpo e autocuidado. “Eu dei o nome de Toque porque vamos relacionar o toque físico do piano ao toque do autocuidado. Quando se pensa que o corpo e a vida são tudo o que compõem a gente, o toque não é só fazer o autoexame“. Explica Isabella
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Obras que atravessam diferentes linguagens e tradições
Ao reunir oito compositoras num mesmo programa, o recital amplia a escuta sobre a contribuição das mulheres para a história e o repertório da música de concerto. As obras atravessam diferentes linguagens e tradições. Isto porque colocam lado a lado autoras nascidas entre a segunda metade do séc. XIX e a contemporaneidade. O programa começa com Mamulengo, de Léa Freire, compositora, pianista e flautista brasileira. Em seguida, Prelude nº 2: Pecera, da cubana Tania León. De Nininha Velloso Guerra, a pianista interpreta o ciclo Com as Crianças, formado por seis peças. São elas: Carícias de Mamãe, Com as Bonecas, em Dança, Histórias de Babá, Soldados de Chumbo, e mais.
O repertório inclui ainda Thème Varié, Op. 89, de Cécile Chaminade, compositora e pianista francesa. A produção dela se desenvolveu entre os séculos XIX e XX, e Pelude nº 7, da estadunidense Ruth Crawford Seeger. A também estadunidense Florence Beatrice Price, primeira mulher negra a ter uma sinfonia executada por uma grande orquestra nos EUA aparece. A obra dela a ser executada é Fantasie Nègre, uma das obras mais significativas para a pianista.
Manifestação forte e poderosa de ancestralidade
“É uma manifestação forte, poderosíssima, na qual ela coloca como tema da música um spiritual, que os negros cantavam vindo no navio negreiro. É muito forte e é resistência. Sinto muito que a família dela, os ancestrais dela, assim como os meus tenham passado por isto“, afirma Isabella. Para ela, a composição também dialoga com o conceito do recital: “É uma conscientização de estar presente no nosso corpo. Além disto, no espaço que ocupamos e de nos cuidarmos, apesar dos pesares que existem à nossa volta“.
Informações Toque, com Isabella de Carvalho
Local: Casa Museu Eva Klabin, praça Benedido Cerqueira, 0.
Data: 17 de outubro, às 17h.
Classificação: Livre.
Ingressos: Clique Aqui
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